sobre o que é que as pessoas escrevem?
sobre o que é que é que as pessoas escrevem?
|estou na minha varanda a escrever. na minha pequena mesinha, com as luzes-bolas acesas de janela aberta a ouvir os sons da cidade. e sabe bem. estou há vários dias em casa. sozinha. a ver séries, e assim. |
vou pesquisar sobre o que escrevem as pessoas.
Trata-se de um pequeno texto da escritora francesa Anaïs Nin.
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Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.
Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjetiva, que é preciso escolher, selecionar. A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior. Ele espera impor sua visão pessoal, partilhá-la com os outros. Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo. Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado para os outros como um legado, como um dom destinado a eles.
Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento de vida. Para atrair, encantar e consolar. Escrevemos para acalentar nossos amantes. Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança. Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são. Para podermos transcender nossa vida e alcançarmos o que existe além dela. Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto. Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil. Quando não escrevo, meu universo se reduz; sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades – é a isto que eu chamo de respirar.
https://paralemdoagora.wordpress.com/2014/07/25/por-que-as-pessoas-escrevem/
tão bonito!
destaquei duas frases:
e não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo.
Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto.
que bonito. o verdadeiro artista persiste assim mesmo e para testemunhar a nossa viagem ao labirinto.
adorei o testemunhar a nossa viagem ao labirinto!
|estou sentada aqui há cerca de quê? 10min? já estou com vontade de ir deitar-me!...de parar...mas ao mesmo tempo apetece-me ter coisas para escrever|
penso no fernando pessoa. |no futuro poderei dizer que foi nele que me inspirei? ou foi ele que me apaixonou, apesar de ter vários (vários?! uns dois...mais que um já são vários, certo? :) ), e que o gosto por escrever é já antigo (gosto desta ideia de escrever os que penso conforme vou escrevendo :) e gosto muito de ter escrito "é já antigo" em vez de "já é antigo")|
mas estava eu a dizer que penso no fernando pessoa. como terá sido a sua vida. que desassossego gigante lhe iria pelo corpo e mente? terão sido os amores tardios?, pelo que li hoje no prefácio do prefácio do livro das Obras essenciais de Fernando Pessoa. Uhm, terei de ler mais.
Palavras a procurar significado:
prefácio-hetéreo

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